quarta-feira, 23 de junho de 2010

Parabólica

Folha da Cidade
Quinta-feira
24.06.10

Cinema - Quem tem criança, deve levar para assistir o filme "Toy Story 3, que ensina a conservar os brinquedos. No Cine-Rosa e Silva, quem paga inteira e for sócio da APSE, só paga meia-entrada. Muito bom.

Buracos e matagal em Olinda

Rujanyr Oliveira, presidente do Centro Comunitário da Vila da Cohab, no 7º. RO, em Olinda, diz que “o prefeito Renildo Calheiros vem anunciando obras de grande impacto para a cidade - leia-se projetos Orla, Alto da Sé, Presidente Kennedy e outros. Porém, nós, moradores da Vila da COHAB, gostaríamos, ao menos, de contar com o feijão com arroz, ou seja, a capinação das 50 ruas que estão cheias de mato, recuperação das três praças do bairro, reposição dos paralelepípedos das vias. E só. Com isso, teríamos uma Prefeitura verdadeiramente voltada para o cidadão, pois, com as ruas devidamente calçadas, as pessoas portadoras de necessidades especiais poderiam circular sem tropeçar e nem ter que pedir ajuda a estranhos. Os idosos também e os motoristas poderiam transitar com seus veículos sem terem prejuízos com os buracos”. Oliveira lembra que, com as ruas capinadas, seria evitada a proliferação de ratos, baratas e escorpiões, preservando, assim, a saúde das crianças, dos idosos e das demais pessoas.

Capela - Apesar das interdições em partes isoladas, a Capela Dourada da Capela, da Ordem Terceira de São Francisco do Recife (na Rua do Imperador), permanece aberta. As 1.190 unidades recebem limpeza, tratamento e restauração, sob a coordenação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Visitação: de 2ª. a 6ª.-feira, de 8 às 11h e de 14 às 17h. Aos sábados, de 8 às 11h30.

Fazes, ratos e muriçocas Charge

Moradores denunciam a assustadora quantidade de muriçocas, no Edifício João Paulo II, na Rua Barão de Souza Leão, em frente à Pracinha de Boa Viagem. Afirmam que fezes, urinas, ratos, baratas e entulhos se acumulam nos terrenos vizinhos. Eles estão indignados com o que vem acontecendo nas imediações do local. E

solicitam providências urgentes à Prefeitura da Cidade do Recife.

Alô, alô, Emlurb?

A manutenção e a colocação de lâmpadas em vários postes são pedidas por moradores de dois bairros no Recife. Um deles é na comunidade Santa Luzia e, o outro, na Rua Barão de Caruaru, na Linha do Tiro. Alô, alô, Emlurb?

Árvore

Uma cidadã está desesperada com a possibilidade de queda de uma árvore enorme, na Estrada das Ubaias, em frente ao número 420. Segundo ela, a dita cuja está completamente infestada de cupim e pode desabar sobre as casas.

Cratera

Tem um buraco enorme, defronte ao Restaurante Kim Sam, em Boa Viagem, e que coloca em risco a segurança dos motoristas e dos pedestres. O dono do estabelecimento comercial colocou, inclusive, um cone de trânsito. É um absurdo.

Curtas

Doações - O Grupo Ser Educacional (Faculdades Maurício de Nassau e Joaquim Nabuco) arrecada donativos para as vítimas das enchentes de Palmares e Água Preta, das 7h às 22h. Informações: 2121-5999 e 3413-4643.5

Fecomércio - Uma comissão liderada por Josias Albuquerque, presidente da Fecomércio, visita Palmares, hoje. A ideia é fazer uma frente de ação junto aos comerciantes das localidades que estão sofrendo com as chuvas.

São João - Os ritmos do São João se misturam com o clima de Copa do Mundo, na programação junina do Shopping Guararapes, e que vai até hoje, na Praça de Eventos. E com apresentações da Banda de Pífano Flor do Taquary.




Critérios para eventos culturais

A Assembleia Legislativa deu um importante passo, ao aprovar, em primeira discussão, o projeto de lei do Poder Executivo que define os critérios e diretrizes para a contratação de artistas em apresentações culturais financiadas pela gestão estadual. A matéria objetiva garantir melhor gestão dos recursos públicos e mais transparência nas contratações de profissionais. Por meio da proposta, o Governo pretende ampliar o mercado de trabalho e o consumo turístico e cultural. Para realizar eventos, as empresas privadas deverão estar inseridas num sistema de cadastro organizado pelo Executivo. A destinação de recursos para a promoção de shows e demais atividades dependerá de análise prévia do Poder Público. Quanto aos artistas, só poderão ser contratados os que estiverem consagrados pela opinião pública e crítica especializada. Quatro emendas foram incorporadas ao projeto. Outras cinco estão ainda estão em análise e poderão ser acatadas até a segunda discussão da matéria. A próxima Reunião Plenária acontece, extraordinariamente, na próxima segunda-feira, às dez da manhã.

Muito bem - Em resposta à nota “Buracos”, a Emlurb esclarece que, na primeira quinzena de julho, fará a manutenção no pavimento das ruas Maria Ramos e Doutor Paulo Ramos, no Bairro de Cajueiro. E, em atenção à nota “Poeira”, a Prefeitura do Recife informa que uma “Operação Tapa-Buraco” será executada, na Rua Dom José Lopes, em Boa Viagem, na próxima semana, para restaurar a via.

Furtos de animais

Os constantes furtos de gado praticados, no Interior do Estado, foram denunciados pelo deputado Antônio Moraes (PSDB), e os crimes atingem pequenos agricultores e pecuaristas. As cidades mais prejudicadas são Aliança, na Zona da Mata, e Surubim, no Agreste. Moraes afirmou, ainda, que a prática criminosa se estende também a outros animais encontrados nas fazendas.

Reforço policial

O parlamentar já solicitou o aumento do efetivo policial, na Zona da Mata e no Agreste, e fez um apelo ao secretário de Defesa Social, Wilson Damázio, para que o caso seja investigado e os roubos de animais na fazendas não fiquem impunes.

Otimismo

De um leitor sobre o jogo desta sexta, entre Brasil e Portugal, pela Copa do Mundo da África do Sul: “Os portugueses meteram 7 na Coréia do Norte e, com isso, gastaram todos os gols que tinham. Vai dá Brasil, fácil, fácil”. Será companheiro?

Perigo

Moradores pedem que a diretoria da Emlurb autorize o serviço de retirada de uma árvore, na Rua Marquês de Baependi, próximo ao número 123, no Bairro de Campo Grande. Está em péssimas condições e pode desabar a qualquer hora.

Biruta - Com o mote “uma onda de gols do Brasil na Copa do Mundo”, o Bar Biruta, em Brasília Teimosa, movimenta, nesta sexta-feira, dia 24, o “Camarote Mania de Futebol”, para convidados. As demais dependências funcionam para o público em geral.

Escolas I - Nos cinco primeiros meses deste ano, a Prefeitura do Recife autorizou 200 intervenções em 170 unidades educacionais, com investimentos de R$ 4,7 milhões. E 110 obras já foram concluídas e 90 estão em andamento.

Escolas II - Das 110 intervenções finalizadas, 41,84% foram de obras emergenciais de recuperação estrutural, impermeabilização de caixas d’água, reforma de sanitários, colocação de gradil, instalação de esquadrias e outros.

Exposições - No Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco (MAC), as exposições Pintando Palavras, da artista plástica Badida; e UndedUn e UndeSire, de Sidnei Tendler. Ficam em cartaz até 1º de agosto.

Enviado por João Gabriel da Silva Brito: Uma lição de pensamento e sentimentos.

Discurso na Academia Sueca (ao receber o Prêmio Nobel de Literatura)

José Saramago

O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever. As quatro da madrugada, quando a promessa de um novo dia ainda vinha em terras de França, levantava-se da enxerga e saía para o campo, levando ao pasto a meia dúzia de porcas de cuja fertilidade se alimentavam ele e a mulher. Viviam desta escassez os meus avós maternos, da pequena criação de porcos que, depois do desmame, eram vendidos aos vizinhos da aldeia. Azinhaga de seu nome, na província do Ribatejo.

Chamavam-se Jerónimo Melrinho e Josefa Caixinha esses avós, e eram analfabetos um e outro. No Inverno, quando o frio da noite apertava ao ponto de a água dos cântaros gelar dentro da casa, iam buscar às pocilgas os bácoros mais débeis e levavam-nos para a sua cama. Debaixo das mantas grosseiras, o calor dos humanos livrava os animaizinhos do enregelamento e salvava-os de uma morte certa. Ainda que fossem gente de bom caráter, não era por primores de alma compassiva que os dois velhos assim procediam: o que os preocupava, sem sentimentalismos nem retóricas, era proteger o seu ganha-pão, com a naturalidade de quem, para manter a vida, não aprendeu a pensar mais do que o indispensável.

Ajudei muitas vezes este meu avô Jerónimo nas suas andanças de pastor, cavei muitas vezes a terra do quintal anexo à casa e cortei lenha para o lume, muitas vezes, dando voltas e voltas à grande roda de ferro que acionava a bomba, fiz subir a água do poço comunitário e a transportei ao ombro, muitas vezes, às escondidas dos guardas das searas, fui com a minha avó, também pela madrugada, munidos de ancinho, panal e corda, a recolher nos restolhos a palha solta que depois haveria de servir para a cama do gado. E algumas vezes, em noites quentes de Verão, depois da ceia, meu avô me disse: "José, hoje vamos dormir os dois debaixo da figueira". Havia outras duas figueiras, mas aquela, certamente por ser a maior, por ser a mais antiga, por ser a de sempre, era, para toda as pessoas da casa, a figueira.

Mais ou menos por antonomásia, palavra erudita que só muitos anos depois viria a conhecer e a saber o que significava... No meio da paz noturna, entre os ramos altos da árvore, uma estrela aparecia-me, e depois, lentamente, escondia-se por trás de uma folha, e, olhando eu noutra direção, tal como um rio correndo em silêncio pelo céu côncavo, surgia a claridade opalescente da Via Láctea, o Caminho de Santiago, como ainda lhe chamávamos na aldeia. Enquanto o sono não chegava, a noite povoava-se com as histórias e os casos que o meu avô ia contando: lendas, aparições, assombros, episódios singulares, mortes antigas, zaragatas de pau e pedra, palavras de antepassados, um incansável rumor de memórias que me mantinha desperto, ao mesmo tempo que suavemente me acalentava. Nunca pude saber se ele se calava quando se apercebia de que eu tinha adormecido, ou se continuava a falar para não deixar em meio a resposta à pergunta que invariavelmente lhe fazia nas pausas mais demoradas que ele calculadamente metia no relato: "E depois?". Talvez repetisse as histórias para si próprio, quer fosse para não as esquecer, quer fosse para as enriquecer com peripécias novas.

Naquela idade minha e naquele tempo de nós todos, nem será preciso dizer que eu imaginava que o meu avô Jerónimo era senhor de toda a ciência do mundo. Quando, à primeira luz da manhã, o canto dos pássaros me despertava, ele já não estava ali, tinha saído para o campo com os seus animais, deixando-me a dormir. Então levantava-me, dobrava a manta e, descalço (na aldeia andei sempre descalço até aos 14 anos), ainda com palhas agarradas ao cabelo, passava da parte cultivada do quintal para a outra onde se encontravam as pocilgas, ao lado da casa. Minha avó, já a pé antes do meu avô, punha-me na frente uma grande tigela de café com pedaços de pão e perguntava-me se tinha dormido bem. Se eu lhe contava algum mau sonho nascido das histórias do avô, ela sempre me tranqüilizava: "Não faças caso, em sonhos não há firmeza".

Pensava então que a minha avó, embora fosse também uma mulher muito sábia, não alcançava as alturas do meu avô, esse que, deitado debaixo da figueira, tendo ao lado o neto José, era capaz de pôr o universo em movimento apenas com duas palavras. Foi só muitos anos depois, quando o meu avô já se tinha ido deste mundo e eu era um homem feito, que vim a compreender que a avó, afinal, também acreditava em sonhos. Outra coisa não poderia significar que, estando ela sentada, uma noite, à porta da sua pobre casa, onde então vivia sozinha, a olhar as estrelas maiores e menores por cima da sua cabeça, tivesse dito estas palavras: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer". Não disse medo de morrer, disse pena de morrer, como se a vida de pesado e contínuo trabalho que tinha sido a sua estivesse, naquele momento quase final, a receber a graça de uma suprema e derradeira despedida, a consolação da beleza revelada. Estava sentada à porta de uma casa como não creio que tenha havido alguma outra no mundo porque nela viveu gente capaz de dormir com porcos como se fossem os seus próprios filhos, gente que tinha pena de ir-se da vida só porque o mundo era bonito, gente, e este foi o meu avô Jerónimo, pastor e contador de histórias, que, ao pressentir que a morte o vinha buscar, foi despedir-se das árvores do seu quintal, uma por uma, abraçando-se a elas e chorando porque sabia que não as tornaria a ver.
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